A EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA: O QUE AS CRIANÇAS DA COMUNIDADE POR FI TEM A DIZER?

Cintia Fabiana Alves, Dalila Inês Maldaner Backes

Resumo


RESUMO

         Para a cultura ocidental, a educação, a escola e o sujeito, ocupam um lugar de destaque o que traz à tona o seguinte questionamento: será que todas as culturas compartilham essa perspectiva? No caso da cultura indígena, especificamente, a escolarização começou por volta do ano de 1500 com os primeiros navegadores europeus, sendo essa por muito tempo forçada. Sabe-se, com base em estudos já desenvolvidos, que a cultura indígena é uma cultura baseada na oralidade, em que os ensinamentos passam de geração a geração de forma oral. A partir disso surgem vários questionamentos: De que forma a figura da escola foi se constituindo para os povos indígenas? Como significar a escrita para eles? Qual a importância da escola para essas crianças? O que é a escola para eles?  Esses questionamentos instigaram a realização do presente estudo que teve como objetivo identificar e analisar a representação e a importância da escola para as crianças Kaingangs da comunidade Por de Fi de São Leopoldo. Desde 2004 a Universidade Feevale vem atuando na comunidade Por Fi com o projeto de Extensão Múltiplas Leituras: povos indígenas e interculturalidade visando contribuir na efetivação dos direitos e na preservação da identidade e cultura desse povo. Fazem parte do projeto os cursos de Pedagogia, Letras, Artes Visuais, História e Direito. O curso de Pedagogia auxilia na alfabetização dos alunos do 2° ano da escola indígena, através de um trabalho diferenciado, partindo da realidade dos alunos com a preocupação de oferecer um ambiente lúdico, incentivando a leitura. Entende-se que para o pedagogo realizar seu trabalho ele precisa conhecer seu aluno, sua realidade, sua cultura, é através dessa relação, que sua prática se constituíra. Para tanto, utilizou-se como métodos de investigação a observação participante e o grupo focal com as crianças que participaram das oficinas que acontecem uma vez por semana na comunidade. Como resultados parciais, pode-se afirmar que a escola ocupa um lugar de prestígio na comunidade, sendo que durante as atividades desenvolvidas é possível perceber a entrega total dos alunos. Diante disso, percebe-se que a cultura indígena vive uma dicotomia entre aceitar a escola que pertence a cultura ocidental, em que a escrita e a leitura são valorizados, e a necessidade de conhecer o que ensina essa escola para que sua cultura e  história não se percam com o tempo, permanecendo, então,  registradas.

Palavras- chave: Cidadania.  Múltiplas leituras. Crianças Indígenas.  Escola.


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