Revista Di@logus - Completa

RELEITURA DA OBRA ÁGUA VIVA, DE CLARICE LISPECTOR: CONCEPÇÕES DE NATUREZA, MEIO AMBIENTE E DE PRODUÇÃO TEXTUAL NO ENSINO MÉDIO

REREADING OF THE BOOK LIVING WATER, BY CLARICE LISPECTOR: CONCEPTIONS OF NATURE, ENVIRONMENT AND OF TEXTUAL PRODUCTION OF MIDDLE SCHOOL

Danusa Donaduzzi BrumI

Noemi BoerII

 

I Universidade Franciscana (UFN), Santa Maria, RS, Brasil. Mestranda em Ensino de Humanidades e Linguagens. E-mail: danusadonaduzzi@yahoo.com.br

 

II Universidade Franciscana (UFN), Mestrado em Ensino de Humanidades e Linguagens, Santa Maria, RS, Brasil e Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Programa de Pós-Graduação em Ensino Científico e Tecnológico da URI, Santo Ângelo, RS, Brasil. Doutora em Educação Científica e Tecnológica. E-mail: noemiboer@gmail.com

 

Processo de avaliação: Double Blind Review

Submetido em: 12.06.2019

Aceito em: 01.06.2019

 

Sumário: 1 Introdução. 2 Texto literário, natureza e meio ambiente. 3 Metodologia. 4 Análise dos dados e resultados. 4.1 Análise do poema Natureza é... 4.2 Análise do poema Simplesmente natureza. 4.3 Análise do poema Meio ambiente. 5 Considerações finais. Referências.

Resumo: Neste artigo, relatam-se atividades que integram uma pesquisa-ação desenvolvida com estudantes de Ensino Médio de uma escola pública, localizada no município de Nova Esperança do Sul, Rio Grande do Sul. Para os propósitos deste estudo, foram selecionados três poemas escritos no contexto da disciplina de Literatura Brasileira, a partir da obra Água Viva, de Clarice Lispector (1998). A análise, de natureza qualitativa, tem por objetivo examinar as concepções de natureza e de meio ambiente implícitas nos poemas e decorrentes da releitura da obra citada. O quadro teórico fundamenta-se em Meyer (2008), Sánchez (2006); Sauvé (2005); Dulley (2004); Leff (2001); Santos (2014); Bosi (2006), entre outros autores. Os resultados sinalizam para a relevância da leitura na elaboração textual e evidencia a evolução dos estudantes na compreensão conceitual de natureza e meio ambiente. Conclui-se que, a partir do texto literário, é possível desenvolver o pensamento e ações que contemplam as dimensões formativas esperadas pela educação ambiental.

Palavras-chave: Construção textual. Leitura. Natureza. Meio ambiente.

Abstract: In this article, we report activities that integrate an action research developed with high school students of a public school located in the city of Nova Esperança do Sul, Rio Grande do Sul. For the purposes of this study, three written poems were selected in the context of the discipline of Brazilian Literature, from the work Água Viva by Clarice Lispector (1998). The purpose of the qualitative analysis is to examine the conceptions of nature and the environment implicit in the poems and resulting from the re - reading of the work cited. The theoretical framework is based on Meyer (2008), Sánchez (2006); Sauvé (2005); Dulley (2004); Leff (2001); Santos (2014); Bosi (2006), among other authors. The results indicate the relevance of the reading to the textual elaboration and evidences the evolution of the students in the conceptual understanding of nature and environment. It is concluded that, from the literary text, it is possible to develop the thinking and actions that contemplate the formative dimensions expected by environmental education.

Keywords: Textual construction. Reading. Nature. Environment.

1 INTRODUÇÃO

Frente às constantes transformações das sociedades contemporâneas, cada vez mais é pertinente pensar o ensino escolar como espaço formativo multicultural e transversal, voltado à compreensão das questões emergentes de nosso tempo. Entre as principais pautas da atualidade, encontram-se as questões de natureza socioambiental, que dizem respeito aos cuidados com o meio ambiente e com a preservação dos recursos naturais.

Entende-se que as estratégias de ensino, capazes de despertar o gosto dos estudantes para a leitura e escrita, associadas à compreensão das questões ambientais que afetam o planeta, fazem parte das expectativas educacionais, voltadas à formação integral dos estudantes. Segundo o Instituto Pró-livro, o incentivo a essas atividades também visa a colaborar para mudar o cenário em que 46% de brasileiros entrevistados informam que não leem nem jornais e nem revistas, 49% não leem qualquer tipo de livro e 54% não leem livros de literatura, como contos, romances ou poesias por livre iniciativa (ZOARA, 2016).

Outro estudo desenvolvido no país mostra que 83% dos entrevistados não adquirem livros de literatura arbitrariamente (VARGAS, 2018). A autora reforça, pela prática profissional, que os leitores brasileiros não têm por hábito a leitura de obras consideradas literárias. Os dados citados reforçam a necessidade de a escola ter estratégias que coloquem os estudantes em contato com livros literários. Dessa forma, é possível pensar a educação com novos olhares e considerar a disciplina de Literatura Brasileira uma abertura que desempenha um papel relevante no desenvolvimento de habilidades da leitura, interpretação e escrita em uma perspectiva inovadora e transversal.

A exploração de textos literários, em sala de aula, desperta o gosto pelas letras, estética, arte e cultura. A imaginação abre possibilidades de interpretação crítica do mundo e, assim, é possível considerar a Literatura e o texto literário como meios que transformam e ampliam o conhecimento dos estudantes dentro e fora da sala de aula. “A literatura é uma prática e um discurso, cujo funcionamento deve ser compreendido criticamente [...]” (COSSON, 2012, p. 47). Um dos papeis que desempenha o professor é propiciar uma reflexão coletiva a respeito da cultura local e global. Para alcançar novos horizontes, é necessário acionar os mecanismos de aprendizagem dos estudantes (SILVA, 2009). Na dimensão cultural, situam-se também as questões socioambientais que afetam as comunidades bióticas, terrestres e aquáticas. Desse modo, por meio da compreensão do contexto sociocultural, os estudantes poderão fazer novas reflexões, emitir opinião crítica, interpretar e transformar o meio em que vivem.

A importância do ato de ler está associada à compreensão crítica da realidade, isto é, a leitura de mundo. Por isso, “o ato de ler não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas se antecipa e se alonga na inteligência do mundo” (FREIRE, 2005, p.11). Nesse sentido, a compreensão do texto, por meio da leitura crítica, implica também a percepção das relações entre o texto e o contexto.

A possibilidade de desenvolver com os estudantes, a partir das aulas de Literatura Brasileira, mais especificamente a terceira fase do modernismo1, em que são estudados autores como Clarice Lispector2, um olhar transversal do conhecimento e da cultura, uma vez que este é o período literário em que as diferentes realidades sociais e ambientais são descritas pelos modernistas, é interessante e necessário.

Cabe registrar também que, apesar das inúmeras iniciativas no campo da educação ambiental, observa-se que os conceitos de natureza e de meio ambiente são pouco aprofundados no ensino escolar. Tendo em vista que um dos propósitos do ensino de literatura é a produção textual, entende-se que esses conceitos podem ser pensados e desenvolvidos em aulas de literatura. Assim, a partir dessas considerações iniciais, neste artigo, têm-se como objetivo analisar as concepções de natureza e de meio ambiente implícitas em poemas escritos por estudantes de Ensino Médio, a partir da obra Água Viva, de Clarice Lispector (1998).

2 TEXTO LITERÁRIO, NATUREZA E MEIO AMBIENTE

Na fundamentação teórica do estudo, apresentam-se considerações a respeito do texto literário, natureza e meio ambiente, elaboradas a partir das contribuições de autores de diferentes vertentes teóricas. Tem-se presente que, no atual panorama nacional, cada vez mais é perceptível a distância dos estudantes da educação básica dos livros de literatura. Por isso, o ensino de literatura em sala de aula tem um papel relevante na formação de leitores sensíveis e críticos.

Considera-se que estratégias de ensino, como a relatada neste artigo, estão em consonância com Cosson (2012), pois afirma que os estudantes entram no universo literário por meio da leitura e, a partir desse contato, aprendem a ler, interpretar e compreender a sua realidade. Segundo o autor, a obra literária e o ato da leitura, nas aulas de ensino de literatura, podem estabelecer conexões entre o texto que está sendo lido e as experiências sociais já vivenciadas pelo leitor estudante.

A busca por resgatar a leitura, decorrente do pouco acesso aos processos de letramento literário dos estudantes, está associada à ideia de que quem aprende a ler e a escrever torna-se um sujeito capaz de compreender suas ações no mundo. É por meio do ato de ler obras literárias que os estudantes dialogam com o autor, para inferir sentidos ao texto, e, assim, ampliam sua capacidade crítica (COSSON, 2012). Entende-se o texto literário como ponto de partida de um processo de leitura, que ultrapassa os limites do texto. Por isso, a literatura diz muito a respeito do que somos e incentiva o desejo de expressar o mundo que desejamos.

Nesse sentido, a literatura é também a porta de entrada dos estudantes no contato com textos dos mais variados gêneros. Na literatura, o leitor não é apenas expectador, mas leitor crítico e capaz de problematizar a obra lida, para melhor compreender a sua construção no mundo. A criticidade e a leitura de mundo são habilidades fundamentais na compreensão dos conceitos de natureza e de meio ambiente, apresentados na sequência, bem como para o desenvolvimento de ações de ativismo ambiental.

A literatura base do estudo, acerca dos conceitos de natureza e meio ambiente, encontra suporte na emergência que os temas suscitam em todos os níveis de ensino. Na atualidade, um acervo de obras e de autores dialogam e têm diferentes olhares a respeito dos conceitos citados. Na compreensão das questões emergentes, que envolvem a natureza e o meio ambiente, é necessária a apropriação de uma retrospectiva histórica, mesmo que breve.

Essa evolução conceitual de natureza pode ser pensada a partir de uma ideia inicial de natureza natural, rústica e romantizada, como a parcela viva do planeta Terra. Essa ideia de mundo bucólico, natural e selvagem, domina a literatura até a Revolução Industrial (GONÇALVES, 2002). Todavia, com as descobertas do Capitalismo, a natureza passa por novas abordagens, porém, sempre como fonte de recursos naturais para uso do ser humano, mantendo o pensamento antropocêntrico.

O antropocentrismo, por sua vez, gera a individualidade e acelera a ganância em prol de um pseudodesenvolvimento, em que natural é extrair. De acordo com Guimarães (2005), a humanidade aderiu à consciência do individual. Com isso, deixa de se integrar à natureza como um todo, levando a individualização ao extremo e desintegrando mais o humano da natureza.

Contribuições de Gonçalves (2002) mostram que natureza é um conceito não natural, porque, na elaboração desse conceito, o ser humano faz uma reconstrução simbólica da realidade. Logo, a realidade engloba o ser humano, capaz de significar e dar significados para tudo que o cerca. Dulley (2004) retoma a ideia de mundo natural e sinaliza para os perigos de essa concepção confundir natureza e meio ambiente, apenas como se fossem parcelas vivas de um sistema maior, tendo em vista que a cultura precisa ser considerada nessa análise.

A natureza e o meio ambiente em Cora Coralina: um estudo a partir do sistema de transitividade e do teatro-educação, de Bittencourt dos Santos (2018), além de aprofundar os conceitos de natureza e de meio ambiente, mostra a evolução desses conceitos a partir de diversas fontes e de autores que apontam reflexões interessantes para o estudo. Nas análises desse estudo, o autor traz Meyer (2008) e Sánchez (2006) como marcos atuais da literatura base, todavia os autores que os antecedem são apresentados numa breve abordagem epistemológica a respeito do saber ambiental descrito, principalmente, por Leff (2001; 2003).

Nesse ínterim, Boer, Cabral e Bitencourt dos Santos (2018) revisitam as correntes de educação ambiental na perspectiva cartográfica de Sauvé (2005), para fundamentar um estudo relativo à análise das representações de natureza e do meio ambiente, no poema O cântico da terra, de Cora Coralina. Os autores constatam que, no campo da Educação Ambiental, as metodologias ativas podem contribuir no desenvolvimento de sensibilidades e impulsioná-los à participação em ações de ativismo ambiental. No poema analisado, identificam que a poetiza apresenta uma visão de natureza intocada, idealizada e próxima à concepção de natureza sujeito, prescrita por Meyer (2008). A ideia de natureza sujeito traz, em sua matriz, a máxima da reciprocidade entre ser humano e natureza. Nesse entendimento, a natureza recebe o status de igualdade com o ser humano, a partir da noção de globalidade e totalidade.

Os estudos de Meyer (2008) indicam duas perspectivas nas concepções de natureza: uma em que o ser humano se encontra fora da natureza e a outra que concebe o ser humano como parte de um todo orgânico, integrado à natureza.

A primeira perspectiva compreende as concepções de natureza edênica versus infernal, natureza selvagem versus civilizada, natureza natural versus artificial. A segunda perspectiva, relativa à integração do ser humano na natureza, compreende as concepções de natureza sujeito, mãe, sobrenatural e espiritual (MEYER, 2008). Dada a amplitude do trabalho desenvolvido por Meyer (2008), a este estudo interessam as concepções de natureza que tenham o ser humano como integrante e que serviram de categorias de análise nas produções dos estudantes. Ressalta-se que a concepção de natureza sujeito pode ser considerada como ideal, porque considera o ser humano em sintonia, respeito e relação profunda com a Terra e os seres humanos.

A concepção de natureza mãe pode ser pensada como matriz de fundamento feminino, tendo em vista que a literatura de Meyer (2008) aponta para o momento em que o feminino é revisitado e aproxima o conceito de natureza à fecundidade da terra e à força da mulher em gerar um filho. Na capacidade de gerar a vida, o planeta assemelha-se ao ventre materno e a terra assume o papel de assegurar a vida.

Sánchez (2006) reconstrói os percursos que Dulley (2004) e traz à tona as particularidades de um conceito maior, que seria o próprio universo ou meio, portanto, trata-se de um conceito macro. Nele é possível apontar inúmeros sistemas, galáxias e planetas, dentre esses o planeta Terra. A partir dessa consideração, o meio ambiente não se resume à parcela viva, biótica, mas envolve as relações entre tudo: elementos vivos, não vivos, minerais, a cultura, as relações humanas e todas as edificações.

Resumindo, meio é a dimensão macro ou o universo; meio ambiente é uma dimensão intermediária entre meio e natureza, porque é entendido como lugar e ambiente, como as relações entre natureza e meio ambiente. Natureza é a parte viva ou biótica do meio ambiente.

Com a compreensão dos conceitos norteadores do estudo, adentra-se nas questões da educação ambiental, que foram tratadas a partir dessa investigação transversal com a literatura e o modernismo em Lispector (1998). Carvalho (2004) notifica que oportunizar diversos olhares e possibilidades diferenciadas condiz com a articulação que o campo da educação ambiental necessita. Nesse sentido, a busca por um trabalho, pautado em experiências bem-sucedidas em educação ambiental, encontra respaldo em Sauvé (2005) e em seu estudo cartográfico das correntes de educação ambiental e em seus respectivos recursos didático-metodológicos, que também são considerados nas análises do estudo.

3 METODOLOGIA

A pesquisa é parte de uma investigação maior que tem, na pesquisa-ação, a condutora do processo, segundo a perspectiva de Thiollent (2011). Nesse sentido, o foco está na ação coletiva, como intervencionista, em que pesquisador e participantes interagem na resolução de um problema e/ou na compreensão e reelaboração conceitual. Corresponde, portanto, à última etapa do planejamento da pesquisa-ação, em que as atividades educativas ficaram restritas à releitura da obra Água Viva, de Clarice Lispector (1998).

Os participantes da pesquisa-ação foram 27 estudantes do 1º ano do Ensino Médio, com idades entre 15 e 17 anos, sendo 14 estudantes do turno da manhã, e 13 do turno da tarde, que frequentam uma escola pública, localizada no município de Nova Esperança do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil.

As intervenções foram realizadas no segundo semestre de 2018, e os conteúdos envolvidos referem-se à literatura brasileira, no período denominado Modernismo. A temática ambiental envolveu os conceitos de natureza e de meio ambiente, bem como a identificação das potencialidades e recursos naturais da região e os principais problemas ambientais da comunidade. Em vista disso, neste estudo, é possível pensar os procedimentos metodológicos em duas dimensões: uma, como metodologia de ensino, e outra, como metodologia de pesquisa, em que as impressões do pesquisador são articuladas aos resultados das análises das construções textuais dos estudantes. Esta modalidade de pesquisa está de acordo com o entendimento de Richardson (2017, p. 331), que considera “a pesquisa-ação um trabalho científico que possui dois objetivos: ação e a pesquisa [...] que caminham juntas”. O autor cita, como exemplo de pesquisa-ação, “o professor individual que trabalha em uma sala de aula para produzir determinadas mudanças ou melhorias no processo de ensino-aprendizagem” (RICHARDSON, 2017, p. 331).

As etapas e os principais procedimentos metodológicos de ensino3 estão sumariadas nos Quadro 1, a seguir.

Quadro 1 – Síntese das etapas da metodologia na dimensão do ensino.

Etapas

Recurso

Aporte teórico

1 - Leitura obra e seleção 81 fragmentos de texto. Trabalho realizado em pequenos grupos.

Livro: Água Viva, de Clarice Lispector

 

3ª fase do Modernismo brasileiro

2 – Elaboração de justificativas para a escolha dos fragmentos escolhidos.

Folhas de papel ofício, caneta e lápis

3ª fase do Modernismo brasileiro; identificação de características do Modernismo

3 – Construções de rimas, versos e ideias para as releituras associadas à observação da natureza local.

Folhas de papel ofício, caneta e lápis

Observações no entorno da escola

Construção textual

Redação (escrita) em prosa e verso

4 – Elaboração textual, redação em prosa e verso Elaboração final, correções e redação final.

 

Barbante, pregador de roupas e os textos dos estudantes para a construção do Varal Literário

Normas cultas da língua portuguesa

Fonte: Brum e Boer, 2018.

As etapas da metodologia da pesquisa-ação e da análise de Conteúdo, de Bardin (2015), podem ser acompanhadas no Quadro 2.

Quadro 2 – Síntese das etapas da metodologia na dimensão pesquisa.

Etapas

Recurso

Aporte teórico

1 – Correções da produção textual dos estudantes

Livro didático, gramática tradicional

Gramática e normas cultas da Língua Portuguesa

2 – Análise das concepções de natureza e meio ambiente nos poemas dos estudantes.

Análise de conteúdo:

1ª fase – Leitura flutuante;

2ª fase – Marcação de palavras-chave e criação de categorias de análise;

3ª fase – Elaboração de análises e inferências e interlocução com autores do marco teórico do estudo.

Análise de Conteúdo (BARDIN, 2015);

Categorias de natureza (MEYER, 2008);

Categorias de meio ambiente (SÁNCHEZ, 2006).

3 – Interpretação dos dados e escolha de três poemas, dois da turma A e dois da turma B.

Dados mais relevantes do estudo

Bardin (2015);

Categorias de natureza Meyer (2008)

Categorias de meio ambiente Sánchez (2006)

Fonte: Brum e Boer, 2019.

Os critérios para a escolha dos poemas analisados seguem a lógica da análise de conteúdo, de Bardin (2015), no que diz respeito à primeira fase da técnica, isto é, compreender a leitura flutuante do corpus da pesquisa. Na segunda fase, foram elencadas as unidades de análise que correspondem às palavras grifadas em negrito e sublinhadas nos poemas selecionados para análise.

Por fim, a terceira fase compreende as análises propriamente ditas. É o momento em que o pesquisador e o objeto ou fenômeno pesquisado se relacionam e dialogam com outros autores que geram inferências ao estudo. Os poemas são identificados pela sigla P1A, P2A e P3B, em que a letra P indica poema, seguido de um número sequencial, e as letras A ou B, correspondem, respectivamente, turma A (manhã) e turma B (tarde). O nome dos autores dos poemas é revelado por se considerar que não se incide em problema ético. Pelo contrário, essa é uma forma de garantir a autoria do texto (poema).

O projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP/UFN), via Plataforma Brasil, e obteve aprovação, conforme Parecer Consubstanciado nº 2.325.552, de 10 de outubro de 2017.

4 ANÁLISE DOS DADOS E RESULTADOS

A análise dos dados traz considerações importantes para o estudo e, como síntese integradora, é possível acompanhar a evolução conceitual acerca das concepções de natureza e meio ambiente na voz dos estudantes. Num primeiro momento, as concepções oscilam entre edênica e sobrenatural, na perspectiva descrita por Meyer (2008). As análises sinalizam para uma evolução na compreensão dos conceitos de natureza e de meio ambiente, elaborados pelos estudantes.

4.1 Análise do poema Natureza é...

O poema identificado como P1A mostra um olhar mais completo em relação às concepções de natureza, iniciando pela perspectiva do ser humano fora da natureza, em que são identificadas as concepções de natureza natural versus artificial.

Natureza é...4

É tudo aquilo que cresce, se desenvolve e acontece sem a intervenção humana o que implica uma oposição entre natural e artificial.

Quando o ser humano faz coisas que provocam alteração na natureza está pondo em perigo sua própria existência.

A natureza é tudo aquilo que tem como característica fundamental de ser natural, corresponde ao mundo material e em extensão, ao universo físico: toda sua matéria e energia.

É a essência e as propriedades características de cada ser.

É a força da atividade humana, em oposição aquilo que é milagroso ou sobrenatural.

É estar ou sentir-se livre de um mundo estressante, é o equilíbrio entre corpo e alma.

No primeiro excerto do poema P1A, natureza é “tudo aquilo que cresce, se desenvolve e acontece sem a intervenção humana”, identifica-se uma concepção de natureza como parte viva ou biótica do meio ambiente, o que está de acordo com os conceitos trabalhados em aula. A expressão “oposição entre natural e artificial” mostra o contraponto à visão naturalista, segundo Meyer (2008). A natureza artificial é uma reprodução da natureza natural pelo ser humano. Está presente em parques, em edificações e em outros locais, normalmente associada ao embelezamento, tornado o ambiente agradável e humanizado. Isso possibilita que a população conheça determinadas espécies de plantas, flores e animais. No entanto, com o intuito de agradar, a recriação de ambientes naturais mostra sempre uma natureza perfeita, paradisíaca, o que não corresponde totalmente ao real.

O excerto [...] “A natureza é tudo aquilo que tem como característica fundamental de ser natural, corresponde ao mundo material e em extensão, ao universo físico: toda sua matéria e energia [...]”, reafirma a análise do primeiro excerto e sinaliza que a concepção de natureza artificial permeia o presente no poema. Mostra também a compreensão de meio, como dimensão macro ou universal.

No fragmento que dá sequência ao poema, quando o ser humano faz coisas que provocam alteração na natureza está pondo em perigo sua própria existência”, surge a representação de um discurso pautado em uma visão trágica, em que a humanidade deverá enfrentar novas catástrofes naturais ou não, pondo em risco a própria sobrevivência. Identifica-se, portanto, uma outra categoria de natureza, que incorpora a ação humana em uma visão negativa e destruidora do ser humano. Essa é uma perspectiva antropocêntrica que compreende o homem separado da natureza (MEYER, 2008).

Na perspectiva antropocêntrica, tem-se uma visão utilitarista dos recursos naturais que existem para servir, em primeiro lugar, ao homem. Em vista disso, o ser humano os utiliza e os explora de forma inadequada. Essa concepção vai aparecer no excerto “É a força da atividade humana, em oposição aquilo que é milagroso ou sobrenatural”. O ser humano está num polo e, no outro, a força da natureza que gera o milagre da vida. Ao se referir ao sobrenatural, pode-se inferir que há, aqui, uma concepção de natureza sobrenatural, que advém da busca por explicações para fenômenos que ocorrem na própria natureza e que afetam ou não seu ciclo de vida (MEYER, 2008).

Merece destaque também o fragmento É a essência e as propriedades características de cada ser”. Nesse excerto, podem-se identificar nuances que caracterizam as concepções de natureza espiritual e sujeito. A dimensão espiritual, de conotação religiosa, busca religar o ser humano ao cosmos e aos demais seres. A dimensão sujeito pressupõe uma relação de igualdade entre ser humano e natureza, portanto, a natureza não pode ser objeto a ser saqueado e depredado. Essa compreensão é fundamental para uma mudança do pensamento e do modo de conviver, porque há esperança de reintegração do ser humano no mundo natural (MEYER, 2008).

A dicotomia identificada na análise do P1A oportuniza novos olhares acerca de um ativismo que o ensino escolar e a educação ambiental podem apresentar no que se refere às possibilidades didático-metodológicas. Isso é importante para o ensino de literatura e de educação ambiental, porque, na transversalidade dos conteúdos, encontra um ponto que enlaça conhecimentos escolares com o mundo que nos cerca. Na Figura 1, busca-se representar as concepções de natureza presentes no poema P1A.

Figura 1 – Concepções de natureza presentes no poema P1A.

A partir da Figura 1, é possível acompanhar a reelaboração do conceito de natureza pelo autor de P1A. Nessa análise, é interessante observar a capacidade de estabelecer relações dialógicas, segundo a perspectiva de Freire (2005; 2018), que a pesquisa-ação oportunizou, uma vez que todos os estudantes modificaram suas concepções de natureza e meio ambiente no decurso das atividades realizadas.

Nesse sentido, a sequência didática trabalhada em aula contribuiu para um ensino de literatura mais próximo à realidade dos estudantes, oportunizou novas abordagens, novos saberes e uma construção metodológica que encontrou, na obra Água Viva, de Clarice Lispector (1998), uma rica descrição de elementos que permitem pensar o natural e a natureza, como conceitos que integram o ser humano.

4.2 Análise do poema Simplesmente Natureza

O poema P2B inicia com um acróstico e exemplifica diferentes concepções de natureza.

Simplesmente Natureza5

Naturalidade

Amazônia

Ternura

Única

Riqueza

Encanto

Zelar

Alívio.

 

Mãe da flora e da fauna

Lugar de tranquilidade

Onde muitos se espalham

Em sua vaidade.

 

Com várias cores ela se esclarece

Quem passa por ela sempre floresce.

Floresce a alma

Transmite calma

É a flora, é a fauna.

 

Ela é simples

Ela é bela

Quem será capaz

De destruir ela?

Na primeira parte do poema, as palavras “Naturalidade, Amazônia, Ternura, Única, Riqueza, Encanto, Zelar e Alívio”, que constituem o acróstico, observam-se marcas linguísticas que remetem a afeto e apreciação, atribuídas como características da natureza. A exceção encontra-se na palavra “Amazônia em que, possivelmente, a autora se refira à floresta amazônica. Se for considerada a biodiversidade aí presente, e sua importância na manutenção do clima e na formação das chuvas, a floresta amazônica reúne todas as potencialidades necessárias à manutenção da vida na Terra.

O fragmento “Mãe da flora e da fauna” traz para a discussão a concepção de natureza mãe, natureza mulher, isto é, o feminino. Disso decorre a expressão “mãe natureza”, que está relacionada à fertilidade e à capacidade de gerar novas vidas. Nessa concepção de natureza, Meyer (2008) insere também o cuidado e as condições para a manutenção da vida.

A sensibilidade em compreender a natureza, como a expressão do feminino, parece estar presente também nos versos “Quem passa por ela sempre floresce. Floresce a alma. Transmite calma. É a flora, é a fauna”. A palavra florescer deriva da palavra “flor”, órgão reprodutivo das Angiospermas. Aqui, pode-se inferir que, na releitura da obra Água Viva, de Clarice Lispector (1998), há também a contribuição de conhecimentos advindos da Biologia, componente curricular do Ensino Médio.

Nos versos “Lugar de tranquilidade. Onde muitos se espalham. Em sua vaidade [...] Com várias cores ela se esclarece. Ela é bela”, a autora atribui à natureza uma concepção edênica, referindo-se à ideia de natureza perfeita, paradisíaca. O Éden, como criação divina, corresponde à natureza dada ou natural, portanto, é um recurso que se encontra disponível ao uso e domínio do ser humano.

A finalização do poema, com o questionamento “Quem será capaz de destruir ela?”, remete à ideia de que o autor, por considerar-se em nível de igualdade com a natureza, põe em cheque o desafio de sua destruição. Identifica-se, portanto, que o posicionamento do autor pauta-se em uma concepção de natureza sujeito.

Acompanhar a evolução conceitual é parte do estudo e tem como objetivo compreender como as concepções de natureza edênica e natural, fruto da criação divina, evoluem para a dimensão que envolve o ser humano nas concepções de natureza mãe e sujeito, como mostra a Figura 2.

Figura 2 – Concepções de natureza presentes no poema P2B:

Reafirma-se que a ênfase no poema P2B está na ideia de natureza mãe, uma idealização do feminino associado à capacidade da mulher de gerar a vida. No poema analisado, é possível identificar que, mesmo não citando claramente o ser humano, sua presença aparece de maneira implícita, especialmente no questionamento final.

4.3 Análise do poema Meio ambiente

O terceiro poema selecionado para análise, neste texto, identificado como P3A, refere-se ao conceito de meio ambiente. Seguindo a lógica da análise de conteúdo, de Bardin (2015), as unidades de análise são examinadas à luz do conceito de natureza, de Meyer (2008), e do conceito de meio ambiente, de Sánchez (2006).

Meio Ambiente6

 

O meio ambiente já foi belo

Hoje está ficando sujo,

O ar contaminado,

As águas estão sujas e poluídas.

 

Nossos animais estão morrendo por causa dessa sujeira toda

As árvores sendo derrubadas e queimadas.

Gente, nosso meio ambiente está sofrendo

Vocês não estão vendo?

 

Não esqueçam que tudo que vai, volta.

Ele vai morrer, mas depois nascerá de novo.

O que será de nossos filhos sem a natureza?

 

O meio ambiente está morrendo

E com ele a natureza

As cidades estão sendo construídas em cima dela.

Os avisos de economizar água estão aí, mas ninguém dá importância.

 

Sem os alimentos? Sem as frutas? Pois tudo acabará.

O verde vai acabar, o azul do mar vai acabar.

Os animais vão morrer de sede e de fome assim como nós.

Por favor, cuide da nossa natureza!

Inicialmente, identifica-se, neste poema, uma visão trágica de meio ambiente e também de natureza, pautada em argumentos relacionados a riscos e catástrofes ambientais. Tais argumentos estão associados às ações antrópicas e apontam para os possíveis esgotamentos dos recursos naturais, falta de alimentos e de água, o que inviabilizaria a sobrevivência humana.

No fragmento “O meio ambiente já foi belo. Hoje está ficando sujo, O ar contaminado, As águas estão sujas e poluídas”, é possível identificar que a autora quer destacar as transformações que ocorrem no ambiente: “foi belo e está ficando sujo”. Essa compreensão, atrelada às ações humanas, é o princípio de um processo capaz de estabelecer relação entre causas e consequências, até então, pouco identificadas nas manifestações dos estudantes em sala de aula. Esse olhar crítico é fruto da insistência em fazê-los olhar para a realidade socioambiental que os cerca. Essa é a leitura de mundo, a realidade mediatizadora e da consciência que se tem dela, em que se busca o conteúdo programático da educação (FREIRE, 2018).

No excerto “As cidades estão sendo construídas em cima dela”, isto é, em cima da natureza, pode-se inferir que o crescimento da população humana e o desenvolvimento industrial e tecnológico, implementados pelo progresso científico, também são causas das catástrofes citadas no poema. No contraponto, a ideia de edificações, como casa ou morada, alinha-se aos pressupostos modernistas que esperam dar conta da descrição das diferentes realidades sociais do Brasil. Desse modo, identificam-se aqui contribuições da literatura e do texto literário na compreensão da estudante. Com relação à ideia de natureza, Sánchez (2006) refere-se a algo natural, que engloba tudo o que é vivo e modificado somente pelo ser humano. Com relação ao meio ambiente, o autor compreende como um conjunto de condições e limites que deve ser conhecido, mapeado e interpretado.

Nos versos “Vocês não estão vendo? O que será de nossos filhos sem a natureza? Por favor, cuide da nossa natureza!, identifica-se a presença humana no ambiente e também o ser humano na natureza, conforme Meyer (2008). Esses três versos podem ser resumidos em um apelo, a um grito de socorro, voltado à preservação ambiental. Em outras palavras, garantir para que as necessidades das gerações do presente não comprometam a capacidade das gerações futuras de atenderem também as suas. Esse foi o entendimento da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) e da Organização das Nações Unidas (ONU), desde o final da década de 1980, para o desenvolvimento sustentável (COMISSÃO MUNDIAL ...,1991). Portanto, esses versos apontam para uma visão de futuro e sugerem que o comportamento das gerações atuais deve constituir um novo padrão de consumo, tendo em vista que a sobrevivência humana depende, direta ou indiretamente, do ambiente natural.

O apelo sentimental, característica de quem se sente corresponsável ou parte da problemática ambiental, também fica claro nos versos “Nossos animais estão morrendo por causa dessa sujeira toda. As árvores sendo derrubadas e queimadas. Gente, nosso meio ambiente está sofrendo”. Definido coletivamente, dentro do qual a sociedade evolui como um todo, do meio ambiente se extraem os recursos naturais essenciais à sobrevivência e os recursos econômicos (SÁNCHEZ, 2006). Como foi visto neste estudo, existem diversas definições para natureza e também para meio ambiente. Isso permite a redução ou ampliação desses conceitos, bem como abre espaço para interpretações de acordo com interesses e/ou perspectivas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Analisar as concepções de natureza e de meio ambiente, implícitas em poemas escritos por estudantes de Ensino Médio, a partir da obra literária Água Viva, de Clarice Lispector (1998), constituiu-se no objetivo geral deste estudo, que possibilitou a elaboração das considerações descritas a seguir.

Pensar um planejamento para a disciplina de literatura brasileira, mais especificamente para o período denominado Modernismo, numa perspectiva transversal, possibilitou identificar três importantes dimensões que se complementam: a capacidade de ler em sala de aula um clássico da literatura; estudar as características do Modernismo e dos conteúdos a ele associados; abordar os conceitos de natureza e de meio ambiente, utilizando-se o texto literário como um recurso motivacional.

Uma das características veiculadas, com o estudo do Modernismo, é a capacidade de contextualizar as obras lidas com a realidade social e problematizá-las; aqui, a ênfase está na capacidade de os estudantes associarem os cenários, paisagens e preocupações, de Lispector, à realidade de Nova Esperança do Sul, RS. Também merecem destaque a elaboração de 23 poemas pelos estudantes das duas turmas envolvidas na pesquisa-ação. Esse dado é importante, tendo em vista que os programas escolares reduzem o estudo a poucos gêneros textuais, e a poesia, via de regra, fica esquecida.

Com base no argumento do parágrafo anterior, considera-se que, fazer os estudantes lerem uma obra literária, interpretá-la e elaborarem poemas à luz dos conceitos de natureza e de meio ambiente, é o ponto alto do estudo. Também, cabe ressaltar as possibilidades de aliar o ensino à pesquisa, como contribuições inovadoras para ambos. A dimensão científica, atribuída pela pesquisa, mostrou como os estudantes modificaram suas concepções prévias de natureza e meio ambiente, após um processo de discussão e de esclarecimentos a respeito desses conceitos e das relações com a realidade ambiental da comunidade. Acredita-se, também, que, a partir das ações realizadas, a visão antropocêntrica e exploratória pode dar lugar a uma visão de complementaridade, onde tudo é determinante e fundamental à manutenção da vida no Planeta.

Portanto, em relação ao ensino de literatura, há a expectativa de que a escola contribua na construção de conhecimentos para a compreensão das questões contemporâneas, como temas que envolvem ciência, tecnologia, sociedade e ambiente. Nessa perspectiva, este estudo evidenciou que o texto literário, na atualidade, é um poderoso instrumento da educação escolar, quando ministrado e proposto de variadas formas, dentro e fora da sala de aula.

REFERÊNCIAS

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1 Por Modernismo “entende-se exclusivamente uma ruptura com os códigos literários do primeiro vintênio” (BOSI, 2006, p. 332). Divide-se em três fases: primeira fase 1922-1930; segunda 1930-1945 e terceira fase posterior a 1945. Clarice Lispector representa a prosa intimista da terceira fase.

2 Clarice Lispector (1925-1977) nasceu em 10 de dezembro de 1925 na cidade de Chechelnik, Ucrânia. Naturalizada brasileira, faleceu em 09 de dezembro de 1977. Clarice foi romancista, cronista, contista, tradutora e jornalista. Em 1936, publicou seu primeiro conto no jornal literário Dom Casmurro, como uma escritora em ascensão.

3 Em fases anteriores da pesquisa-ação, os estudantes participaram das seguintes atividades: (i) Sequência Didática Interativa, fundamentada no Círculo Hermenêutico Dialético (CHD) (OLIVEIRA, 2012) e da construção de mandalas ecológicas (COUTINHO, 2017).

4 Amanda Buzatta (15 anos) é a autora do poema P1A, A natureza é...

5 Poema elaborado por Bianca Smolareck (15 anos).

6 Juliana de Castro da Silva (17 anos) é a autora do poema Meio Ambiente.

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